Viva na PalavraDevocional Diário
Voltar ao início
Trabalho e Propósito

Coragem para decidir mesmo sozinho

12 de agosto de 20266 min de leitura
Coragem para decidir mesmo sozinho
Versículo Âncora — Josué 24:15

E, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se a deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, se aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao Senhor.

A família inteira já disse o que pensa. Uns acham arriscado, outros acham cedo demais, outros ainda dizem, com boa intenção, que "isso não é para si". E no meio de todas essas vozes, há uma certeza pequena, quieta, mas persistente, que continua a dizer-lhe que aquele é o caminho certo — mesmo sem ninguém por perto que concorde.

Esta é uma das situações mais desconfortáveis da vida adulta: ter de decidir sozinho, sabendo que quem mais ama vai discordar. Não porque essas pessoas queiram o seu mal — pelo contrário, muitas vezes discordam exactamente porque se preocupam. Mas o desconforto de decidir contra o consenso de quem ama continua ali, pesado, difícil de ignorar.

Imagine alguém que sente, com clareza, que deve mudar de emprego, de cidade, ou até de rumo de vida, para seguir algo que sente ser um chamado maior. A família inteira, reunida à volta da mesa, apresenta razões válidas para não avançar: a estabilidade que se perde, o risco financeiro, o que os outros vão pensar. Essa pessoa tenta, por semanas, convencer todos, um por um, à espera de um consenso que nunca chega. Cada conversa deixa-a mais confusa, mais dividida entre o que sente e o que os outros acham prudente.

Um dia, cansada de esperar por uma aprovação unânime que talvez nunca venha, essa pessoa percebe algo importante: ouvir os outros com respeito é sabedoria; mas entregar-lhes o volante da própria decisão é outra coisa, bem diferente, chamada de indecisão disfarçada de humildade.

Josué, já perto do fim da vida, reúne o povo de Israel e coloca-os diante de uma escolha clara: se lhes parece mal servir ao Senhor, que escolham a quem vão servir. E então declara, sem esperar pela concordância de toda a multidão: "eu e a minha casa serviremos ao Senhor." Josué não pediu unanimidade para tomar essa decisão. Anunciou a sua convicção, apresentou a escolha aos outros, e assumiu, à frente de todos, o caminho que sabia ser o certo, independentemente de quantos concordassem naquele momento.

Tomar uma decisão sozinho, quando ninguém concorda, não é sinónimo de teimosia nem de desrespeito por quem ama. Pode ser, muitas vezes, o exercício mais maduro de convicção que alguém pratica na vida.

Diferença entre teimosia e convicção

Teimosia insiste sem ouvir. Convicção ouve, pesa, e ainda assim decide seguir o que discerne ser o correcto. A diferença não está em decidir sozinho — está em como se chega a essa decisão. Quem é teimoso fecha os ouvidos antes mesmo de a conversa começar. Quem tem convicção escuta com atenção real, considera os argumentos, e só depois de um processo honesto decide manter o rumo.

Antes de assumir que está a agir com convicção, vale a pena perguntar-se: ouvi mesmo os argumentos contrários, ou apenas esperei que acabassem de falar para poder continuar a pensar o mesmo de sempre?

Ouvir sem entregar o volante

É possível — e saudável — ouvir profundamente os conselhos de quem ama, sem lhes entregar o direito de decidir por si. Ouvir significa dar espaço real às preocupações dos outros, sem se fechar em defesa. Entregar o volante significa deixar que a decisão final seja tomada pelo medo ou pela vontade alheia, mesmo quando o seu coração e a sua consciência apontam para outro caminho.

Há uma zona intermédia saudável: ouvir tudo, agradecer a preocupação, e ainda assim dizer, com respeito, "ouvi-vos, e decidi seguir por aqui."

Assumir a consequência

Decidir sozinho traz consigo uma responsabilidade que não pode ser dividida depois: se a decisão correr bem, o mérito é seu; se correr mal, a consequência também. Isto assusta, e é normal que assuste. Mas é precisamente essa disposição para assumir a consequência, sem culpar quem discordou, que separa uma decisão madura de um capricho.

Quem decide com convicção não precisa, mais tarde, de provar a ninguém que tinha razão. Precisa apenas de viver de forma coerente com a decisão que tomou, aconteça o que acontecer.

Quando isto não parece resultar

O erro mais comum é confundir "ninguém concorda comigo" com "logo, tenho razão". Discordância generalizada não prova nem desmente uma decisão. Se sente que ninguém concorda, procure, antes de decidir, pelo menos uma ou duas pessoas de confiança e maturidade espiritual para ouvir com atenção — não para pedir permissão, mas para testar se a sua convicção resiste a perguntas difíceis.

Como viver isto hoje

  • Escreva, com clareza, qual é a decisão que tem adiado por falta de consenso à sua volta.
  • Ouça, de forma genuína, os argumentos de quem discorda, sem se fechar em defesa.
  • Decida, e comunique a decisão com respeito, assumindo desde já a responsabilidade pelo caminho escolhido.
  • Oração

    > Senhor, dá-nos coragem para decidir com convicção, mesmo quando ninguém à nossa volta concorda. > Ensina-nos a ouvir com humildade, sem entregar a outros o lugar que só a nós pertence decidir. > Ajuda-nos a assumir as consequências das nossas escolhas, sem culpar quem discordou por amor. > Que, como Josué, possamos dizer com firmeza a quem servimos, mesmo sozinhos. > Amém.

    A mesa cheia de vozes contrárias ainda vai continuar cheia amanhã, mas a decisão não precisa de esperar mais pela aprovação de todos. Deixe, num comentário ou numa conversa com alguém de confiança, qual é a decisão que está a adiar — e dê hoje o primeiro passo para a assumir.

    Acha que esta palavra pode abençoar alguém hoje?

    Outras mensagens relacionadas