Viva na PalavraDevocional Diário
Voltar ao início
Provação

Medo do futuro: como viver o dia sem carregar o ano

27 de agosto de 20266 min de leitura
Medo do futuro: como viver o dia sem carregar o ano
Versículo Âncora — Mateus 6:34

Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.

São quatro da manhã e os seus olhos já estão abertos. A cabeça começou a correr cenários de daqui a cinco, dez anos: e se aquele problema piorar, e se aquela conta não sair como esperava, e se tudo correr mal ao mesmo tempo. O coração acelera por causa de algo que ainda nem aconteceu, e talvez nunca chegue a acontecer. O medo do futuro tem essa característica cruel: consegue roubar o sono e a paz de hoje por causa de um amanhã que ainda nem existe.

Jesus falou sobre isto de forma directa, no meio de um dos seus ensinamentos mais conhecidos. Estava a ensinar sobre não se preocupar excessivamente com o que comer, o que vestir, comparando os seus ouvintes com as aves do céu, que não semeiam nem colhem e mesmo assim são alimentadas, e com os lírios do campo, que nem trabalham e ainda assim estão vestidos de beleza. No fim desse ensinamento, disse algo que resume tudo: não se aflijam pelo dia de amanhã, porque o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio peso.

A tentação, diante do medo do futuro, é tentar controlar tudo antecipadamente: planear cada cenário possível, imaginar cada resposta a cada problema que ainda nem surgiu, como se isso pudesse garantir que nada de mau aconteça. O resultado costuma ser o contrário do que se procura — mais ansiedade, menos sono, e nenhuma garantia real de que o futuro vai correr como planeou. A virada que Jesus propõe não é deixar de pensar no futuro por completo, nem parar de se preparar com sensatez. É perceber que a preocupação antecipada não resolve o amanhã; apenas rouba a energia de hoje.

A preocupação como imposto pago por antecipação

Preocupar-se com o futuro é, de certa forma, como pagar hoje um imposto sobre algo que talvez nunca aconteça. Paga-se em noites mal dormidas, em tensão no corpo, em atenção desviada das pessoas e das tarefas que tem à sua frente agora. E o mais frustrante é que, na maior parte das vezes, aquilo que tanto o preocupou nem chega a acontecer da forma como imaginou — e mesmo quando acontece, a preocupação antecipada raramente ajudou a enfrentá-lo melhor. Foi só um custo pago em vão, cobrado todos os dias, antes mesmo de saber se a factura chegaria.

Separar o que se controla do que não se controla

Uma parte importante de lidar com o medo do futuro é aprender a separar, com honestidade, o que está nas suas mãos do que não está. Há decisões que pode tomar hoje, acções concretas ao seu alcance. E há resultados que dependem de outras pessoas, de circunstâncias, do tempo, que simplesmente não estão sob o seu controlo, por mais que se preocupe. Continuar a remoer aquilo que não controla não muda o resultado; apenas o desgasta enquanto espera.

Preparar sem se afundar

Ser prudente e planear com sensatez é diferente de ficar preso a cenários de catástrofe. Preparar-se significa tomar as decisões razoáveis que estão ao seu alcance — poupar o que consegue, cuidar da sua saúde, organizar o que depende de si — e depois deixar de ruminar sobre o resto. A diferença entre preparação saudável e ansiedade é que a primeira termina numa acção concreta; a segunda gira em círculos, sem nunca chegar a lado nenhum.

Quando isto não parece resultar

E se as preocupações forem sobre coisas reais, que realmente podem acontecer, não apenas imaginações exageradas? Isto acontece, e a resposta não é fingir que os problemas não existem. A diferença está em transformar a preocupação em acção sempre que for possível — e, quando não há mais nada a fazer hoje sobre aquele assunto, entregar conscientemente o resto, em vez de continuar a repassá-lo na cabeça sem qualquer proveito.

Como viver isto hoje

  • Escreva agora, num papel, o que pode controlar e o que não pode controlar sobre aquilo que o preocupa.
  • Tome hoje uma acção concreta e possível sobre aquilo que está na coluna do que controla.
  • Sempre que o pensamento voltar para o que não controla, entregue-o conscientemente a Deus em oração, em vez de continuar a remoê-lo sozinho.
  • Oração

    > Senhor, confessamos que muitas vezes carregamos o peso de anos inteiros num só dia. > Ensina-nos a separar o que está nas nossas mãos do que só está nas tuas. > Ajuda-nos a preparar com sensatez, sem nos afundarmos em cenários que ainda não existem. > Dá-nos hoje a paz que basta para hoje, e confiamos-te o amanhã.

    Os cenários de daqui a vários anos ainda vão tentar visitar a sua mente às quatro da manhã. Mas agora tem uma ferramenta simples para lidar com o medo do futuro: separar o que controla do que não controla, e agir apenas sobre a primeira parte. Pegue agora numa folha e escreva essa lista — pode ser o primeiro passo concreto para dormir esta noite sem carregar o ano inteiro sobre os ombros.

    Acha que esta palavra pode abençoar alguém hoje?

    Outras mensagens relacionadas

    O que fica quando tudo passa
    Provação
    6 min de leituraTiago 4:14

    O que fica quando tudo passa

    Ao arrumar os pertences de alguém que partiu, poucas coisas realmente importavam. Descubra o que realmente importa na vida antes que seja tarde.

    Ler mensagem completa
    Quando a resposta de Deus é não
    Provação
    6 min de leituraLucas 22:42

    Quando a resposta de Deus é não

    Depois de tanta oração e fé, o pedido foi negado. Veja o que o Getsêmani ensina sobre confiar em Deus mesmo quando a resposta é não.

    Ler mensagem completa