Viva na PalavraDevocional Diário
Voltar ao início
Casamento

O que você diz do seu cônjuge quando ele não está

14 de outubro de 2026•5 min de leitura
Versículo Âncora: Provérbios 31:11-12

“O coração do seu marido está nela confiado; assim ele não necessitará de despojo. Ela só lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.”

É sexta-feira ao fim da tarde e o grupo de colegas está a conversar enquanto espera o autocarro. Alguém começa a queixar-se do marido, outra pessoa ri-se e conta a sua, e de repente toda a gente tem uma história para partilhar. Você também tem: a loiça que ele deixou por lavar outra vez, a reunião da escola de que se esqueceu, o fim de semana passado agarrado ao telemóvel. Você conta, os outros riem, e a conversa segue.

Ninguém disse nada de muito grave. Mas, no caminho para casa, fica uma sensação estranha. As pessoas que estavam ali conhecem agora o seu cônjuge pela pior versão dele. E ele nem sabe que esteve em julgamento.

O que o texto de Provérbios está realmente a dizer

O último capítulo de Provérbios abre com as palavras que a mãe do rei Lemuel lhe ensinou (Provérbios 31:1). A partir do versículo 10 vem um poema sobre a mulher virtuosa, construído no hebraico como um acróstico, com cada versículo a começar pela letra seguinte do alfabeto. É um retrato de sabedoria posta em prática, não uma lista de tarefas domésticas.

Logo no início do retrato aparece a confiança. O coração do marido está nela confiado, e ela faz-lhe bem, e não mal, todos os dias da sua vida. Repare que o texto não fala de um bem ocasional, feito quando o dia corre bem. Fala de todos os dias. Mais adiante, o poema mostra o outro lado: o marido é conhecido nas portas, onde se sentavam os anciãos da cidade (Provérbios 31:23), e é ele próprio quem a louva (Provérbios 31:28).

O poema descreve uma esposa, mas o princípio vale para os dois. O nome de cada um está, em parte, guardado na boca do outro. Quem é casado não fala só de si quando fala de casa.

Desabafar não é o mesmo que expor

Há momentos em que você precisa mesmo de falar com alguém. Guardar tudo também não faz bem a um casamento. A questão não é se pode falar, mas com quem, como e para quê.

Antes de contar uma dificuldade do seu casamento a outra pessoa, faça três perguntas a si mesmo.

  • Esta pessoa pode ajudar, ou só vai ouvir e comentar? Um conselheiro maduro, que quer ver o seu casamento de pé, é diferente de uma plateia.
  • Estou a contar factos ou a colar rótulos? Dizer que ele chegou às duas da manhã sem avisar é contar um facto que se pode resolver. Dizer que ele é um irresponsável é dar uma sentença que fica na cabeça de quem ouve.
  • Diria isto da mesma forma se ele estivesse aqui ao meu lado? Se a resposta for não, o problema já não é só o que ele fez. É a forma como você o está a contar.
  • Um cuidado especial com a família de origem. Quando você se queixa do cônjuge à sua mãe ou aos seus irmãos, muitas vezes o casal faz as pazes nessa mesma noite. A família, porém, não estava lá para a reconciliação. Ficou só com a ofensa. Anos depois, ainda pode olhar para o seu cônjuge com desconfiança por causa de uma discussão de que vocês os dois já nem se lembram.

    A frase para quando a conversa se vira contra os cônjuges

    Há conversas que deslizam sozinhas para a crítica aos maridos ou às mulheres: no trabalho, num grupo de WhatsApp, numa festa de família. Não precisa de dar um sermão a ninguém. Basta não entrar.

    Pode dizer algo simples, com um sorriso: "Tem os defeitos dele, como eu tenho os meus, mas prefiro não falar dele quando não está." Na maior parte das vezes, a conversa muda de rumo sem drama. E quem o ouviu fica a saber que, consigo, um assunto de casa está seguro.

    Vale o mesmo para as piadas. A brincadeira sobre a mulher que não sabe cozinhar ou o marido que não faz nada em casa parece inofensiva. Repetida em público, vai ensinando aos outros, e aos seus filhos, a olhar para ele ou para ela com menos respeito.

    Falar bem sem inventar um casamento perfeito

    Falar bem do cônjuge não é fazer propaganda nem fingir que está tudo bem. Ninguém lhe pede que minta. Pede-se lealdade: escolher, entre as coisas verdadeiras, as que constroem.

    Paulo escreveu aos efésios que da nossa boca deve sair só a palavra boa, que edifica e dá graça a quem a ouve (Efésios 4:29). Quando você conta a uma amiga que o seu marido passou a noite a ajudar o filho com a matemática, ou diz a um colega que a sua mulher resolveu um problema da família com uma calma que você não teria, está a dizer a verdade. E está a proteger o nome de quem não estava presente para se defender.

    Há uma excepção importante. Se em casa há violência, ameaças ou medo, a lealdade não pede silêncio. Nesse caso, falar com alguém de confiança, seja um pastor, um familiar maduro ou quem o possa proteger, não é traição. É cuidado.

    Como viver isto hoje

  • Lembre-se da última vez que falou do seu cônjuge a alguém e pergunte a si mesmo se o diria da mesma forma com ele presente.
  • Escolha uma pessoa madura, que queira o bem do vosso casamento, para ser o lugar onde leva as dificuldades, e deixe de as espalhar por outros lados.
  • Diga hoje a outra pessoa uma coisa boa e verdadeira sobre o seu cônjuge.
  • Oração

    > Senhor, guarda a nossa boca quando falamos de quem amamos. > Perdoa-nos as vezes em que expusemos o nosso cônjuge para ganhar razão ou para fazer rir. > Ensina-nos a procurar ajuda com sabedoria e a falar com lealdade. > Que o coração de quem caminha connosco possa confiar em nós todos os dias. > Em nome de Jesus, amém.

    Acha que esta palavra pode abençoar alguém hoje?

    Outras mensagens relacionadas