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Perdoar quem nunca pediu perdão

26 de agosto de 20266 min de leitura
Perdoar quem nunca pediu perdão
Versículo Âncora — Mateus 18:21-22

Então Pedro, aproximando-se dele, disse: Senhor, até quantas vezes pecará meu irmão contra mim, e eu lhe perdoarei? Até sete? Jesus lhe disse: Não te digo que até sete; mas, até setenta vezes sete.

Referência marcada para validação pastoral adicional na Bíblia.

Há uma pessoa que o magoou profundamente e que, ao que tudo indica, seguiu a vida sem olhar para trás. Não ligou a pedir desculpa. Não parece sequer lembrar-se do que fez, ou finge que não tem importância. E você continua ali, a carregar o peso de algo que a outra pessoa já esqueceu. Perdoar sem pedido de desculpa parece quase injusto — porquê ser você a fazer esse esforço, se quem errou nem sequer reconheceu o erro?

Um dia, o apóstolo Pedro fez uma pergunta a Jesus sobre isto mesmo. Perguntou quantas vezes devia perdoar um irmão que pecasse contra ele — sugeriu sete vezes, um número que já lhe parecia generoso. Jesus respondeu que não era sete, mas setenta vezes sete. Não estava a dar uma conta exacta para fazer, como quem soma perdões numa lista até chegar a quatrocentos e noventa. Estava a dizer que o perdão não tem um limite que se possa contar nos dedos, especialmente quando o outro nunca pede para ser perdoado.

A tentação natural, diante disto, é fazer contas: "já perdoei uma vez, e a pessoa nem se importou. Não vou perdoar outra vez sem que peça desculpa primeiro." Ficar à espera de um pedido de desculpa que talvez nunca chegue é como esperar por uma chave que a outra pessoa não tem intenção de entregar. Enquanto espera, é você quem fica preso do lado de dentro. A virada de percepção que Jesus propõe é esta: o perdão não é uma resposta ao pedido de desculpa do outro. É uma decisão que você toma, independentemente da resposta que recebe.

Perdão não é absolvição nem reconciliação

É importante ser claro sobre o que perdoar não significa. Perdoar não é dizer que o que a pessoa fez estava certo, nem é apagar a gravidade do que aconteceu. Também não significa, automaticamente, voltar a confiar da mesma forma ou reatar a relação como se nada tivesse acontecido. É possível perdoar alguém e, ao mesmo tempo, manter distância dessa pessoa, especialmente se ela continuar a agir da mesma forma que o magoou. Perdoar é sobre o que acontece dentro de si; reconciliação é outra decisão, que depende de mais do que a sua vontade.

O que continua preso em quem não perdoa

Imagine alguém que carrega uma mágoa há anos, e que sente o peso dela sempre que o nome da pessoa surge numa conversa, ou sempre que passa por um lugar que lembra o que aconteceu. Essa mágoa não afecta quem causou a dor — muitas vezes essa pessoa já nem pensa no assunto. Quem fica preso é quem não perdoa. A amargura tem esse efeito estranho: consome mais energia de quem a guarda do que de quem a causou. Não perdoar não pune o outro; apenas prolonga a sua própria dor.

Como perdoar em processo

Perdoar raramente é uma decisão que se toma uma única vez e fica resolvida para sempre. É mais parecido com um processo que se repete sempre que a memória volta. Os "setenta vezes sete" de Jesus também podem ser lidos assim: não é que vá precisar de perdoar setenta vezes sete pessoas diferentes, mas que vai precisar de repetir a decisão de perdoar a mesma pessoa, pela mesma ofensa, todas as vezes que ela voltar à sua mente com o mesmo peso de antes.

Quando isto não parece resultar

E se decidir perdoar, sentir alívio por uns dias, e depois a mágoa voltar com a mesma força de antes? Isto é normal, e não significa que o perdão anterior não foi real. Perdão não é uma vacina que elimina para sempre a possibilidade de sentir dor outra vez. É uma decisão que, muitas vezes, precisa de ser repetida. Cada vez que repete essa decisão, o peso tende a ficar mais leve, mesmo que não desapareça de uma só vez.

Como viver isto hoje

  • Nomeie diante de Deus, com clareza, a pessoa e a mágoa concreta que carrega — sem generalizar, sem disfarçar o que realmente sente.
  • Decida hoje soltar o direito de exigir um pedido de desculpa antes de perdoar, entregando essa exigência a Deus.
  • Repita esta decisão de perdoar sempre que a memória voltar, sem se cobrar por precisar de repeti-la mais do que uma vez.
  • Oração

    > Senhor, trazemos diante de ti quem nos magoou e nunca pediu perdão. > Ajuda-nos a perdoar sem depender do arrependimento do outro. > Liberta-nos do peso que carregamos sozinhos há tanto tempo. > Ensina-nos a repetir esta decisão sempre que for necessário, sem cansaço.

    A pessoa que o magoou pode continuar a viver sem olhar para trás, sem nunca pedir desculpa. Isso já não precisa de decidir o resto da sua história. Perdoar sem pedido de desculpa não é fingir que nada aconteceu — é escolher deixar de carregar sozinho aquilo que já devia ter sido solto há muito tempo. Nomeie hoje essa pessoa diante de Deus, e comece, mesmo que seja apenas o primeiro passo de um processo mais longo.

    Acha que esta palavra pode abençoar alguém hoje?

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