Viva na PalavraDevocional Diário
Voltar ao início
Trabalho e Propósito

A desculpa que está a custar-lhe anos

08 de agosto de 20266 min de leitura
A desculpa que está a custar-lhe anos
Versículo Âncora — Provérbios 13:4

A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes se fartará.

Há três anos você diz a mesma frase para explicar porque ainda não começou aquele projecto, aquele curso, aquela mudança que sabe que precisa de fazer. No início, a desculpa parecia razoável, quase óbvia. Hoje, repetida tantas vezes, ela já soa quase como uma verdade absoluta, tão bem treinada que já nem exige esforço para ser dita. E, no entanto, por dentro, uma parte sua sabe que já devia ter dado o primeiro passo há muito tempo.

Parar de arranjar desculpas não é sobre força de vontade sobre-humana. É sobre reconhecer que aquela justificação, por mais convincente que pareça agora, está a custar-lhe anos que não voltam, e que continuar a repeti-la só a torna mais confortável de dizer, nunca mais verdadeira.

Imagine alguém que sempre quis começar um pequeno negócio próprio, algo que já tinha planeado nos mínimos detalhes na cabeça. A desculpa inicial foi ainda não ter capital suficiente. Passado um ano, a desculpa evoluiu para o momento económico não estar bom. Mais um ano depois, tornou-se falta de tempo, com o trabalho actual e a família. Cada uma destas frases, isoladamente, parecia razoável. Em conjunto, ao longo de três anos, formavam um padrão claro: a pessoa não estava apenas à espera do momento certo, estava a evitar o risco de tentar e falhar.

A cada vez que alguém próximo perguntava sobre o tal projecto, a resposta vinha pronta, quase automática, e servia também para acalmar a própria consciência: ainda não é a altura. O problema é que a altura nunca chegava sozinha, porque a decisão de começar nunca dependeu apenas das circunstâncias externas, dependia também de um passo concreto que só a própria pessoa podia dar.

A virada de percepção aconteceu quando essa pessoa parou para calcular, com honestidade, quanto tempo já tinha passado desde a primeira vez que pensou seriamente no projecto, e percebeu que a desculpa, mais do que uma barreira real, tinha-se tornado um analgésico confortável para a frustração de ainda não ter começado.

O verdadeiro problema, portanto, nunca foi a falta de capital, de tempo ou de momento ideal. Foi o conforto de uma justificação que evitava o desconforto real de tentar e, possivelmente, falhar.

A desculpa como analgésico

Uma desculpa repetida durante anos raramente é apenas preguiça simples. É, muitas vezes, um analgésico contra o medo de falhar, de ser julgado, ou de descobrir que talvez não seja tão capaz quanto gostaria de acreditar. Enquanto a desculpa existir, esse medo nunca precisa de ser enfrentado, porque o projecto nunca chega a ser tentado de verdade.

Reconhecer isto não é motivo de vergonha, é apenas o primeiro passo honesto para mudar de direcção. Toda a gente, em algum momento da vida, já usou uma desculpa deste tipo para adiar algo importante.

O preço acumulado

O que torna esta situação séria não é a desculpa isolada, é o preço acumulado ao longo do tempo. Três anos de adiamento não são apenas três anos perdidos, são também três anos de aprendizagem, de experiência e de possíveis resultados que nunca chegaram a existir. Esse preço raramente é sentido de imediato, aparece mais tarde, quando se olha para trás e se percebe quanto tempo já passou sem movimento real.

Provérbios 13:4 diz que a alma do preguiçoso deseja e nada alcança, mas a alma dos diligentes prospera. Note que o texto não condena o desejo em si, o problema não é desejar um projecto ou uma mudança, é ficar apenas no desejo, sem o esforço correspondente que o transforma em realidade.

Trocar justificação por um passo pequeno

A saída para este padrão não é um salto enorme e imediato, geralmente esse tipo de exigência apenas reforça o medo e a paralisia. É trocar a justificação por um passo pequeno, concreto e imediato, algo que possa ser feito ainda hoje, sem esperar pelas condições perfeitas que, como já se viu, talvez nunca cheguem sozinhas.

Um passo pequeno tem a vantagem de ser difícil de adiar, porque exige pouco, e ao mesmo tempo quebra o padrão de inacção que se instalou ao longo dos anos.

Quando isto não parece resultar

O erro mais comum é tentar substituir anos de desculpas por um plano perfeito e completo, decidido de uma só vez. Esse tipo de plano costuma intimidar mais do que ajudar, e acaba por se tornar apenas mais uma desculpa disfarçada de preparação. E se, mesmo dando o primeiro passo pequeno, surgir de novo a vontade de desistir dias depois? Isso é esperado. O objectivo não é nunca mais sentir vontade de desistir, é continuar mesmo quando essa vontade aparece, dando o próximo passo pequeno, e depois o seguinte.

Como viver isto hoje

  • Nomeie, com clareza e sem embelezar, a desculpa exacta que tem repetido nos últimos meses ou anos.
  • Escolha um passo mínimo relacionado com o projecto adiado, que possa ser feito ainda hoje, em menos de trinta minutos.
  • Comente nesta página qual é a desculpa que acabou de nomear, como forma de a tornar mais difícil de repetir em silêncio.
  • Oração

    > Senhor, reconhecemos as desculpas que temos usado para adiar o que sabemos que precisamos de fazer. > Ajuda-nos a trocar a justificação confortável por um passo pequeno e corajoso. > Dá-nos disciplina para continuar mesmo quando a vontade de desistir voltar. > Que o tempo que ainda temos pela frente não se perca como o que já passou.

    A pessoa que há três anos repetia a mesma desculpa pode, ainda hoje, escolher um passo pequeno diferente de tudo o que fez até agora, e começar a inverter o padrão que se instalou. Parar de arranjar desculpas não exige coragem sobre-humana, exige apenas um primeiro movimento concreto. Comente aqui, agora, qual é a desculpa que vai deixar de repetir.

    Acha que esta palavra pode abençoar alguém hoje?

    Outras mensagens relacionadas