Casados e sozinhos: a falta de tempo a dois
“Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.”
Moram sob o mesmo tecto, partilham a mesma cama, mas as conversas resumem-se a horários, contas e tarefas domésticas. De manhã, a pressa para o trabalho. À tarde, a correria com os filhos. À noite, o cansaço que domina. O casal que antes tinha longas conversas tornou-se dois colegas de casa muito bem organizados.
Nenhum dos dois decidiu, numa manhã qualquer, parar de investir tempo no outro. Cada compromisso parece mais urgente do que o casamento, porque o casamento, ao contrário de um prazo de trabalho, não cobra de imediato quando é negligenciado.
O casamento não sobrevive de sobras
Existe uma crença quase nunca dita em voz alta: o casal deve aproveitar o que sobra depois de tudo o resto resolvido, trabalho, filhos, igreja, visitas. O problema é que nada sobra de facto. O trabalho expande-se para ocupar todo o horário disponível. As crianças têm sempre novas necessidades. As responsabilidades sociais multiplicam-se.
Se o vosso relacionamento só recebe atenção quando sobra um momento, vai ficar sempre em último lugar. Tudo o resto reclama urgência. O casamento aceita esperar em silêncio, mas isso tem um custo.
Marque um encontro semanal fixo
A solução não é esperar por sobras. É reservar antecipadamente um espaço fixo, ainda que pequeno, só para os dois. Não precisa de ser caro nem perfeito. Precisa de ser certo.
Pode ser meia hora depois de os filhos dormirem, duas vezes por semana, sem telemóveis, para falar de algo que não seja logística doméstica. Pode ser um passeio a pé pelo bairro, uma vez por semana. O que conta não é o orçamento nem o cenário. É a regularidade e a protecção contra interrupções.
A palavra-chave é marcado. Um encontro que depende de se der tempo nunca acontece, porque surge sempre algo mais urgente. Um encontro marcado no calendário, tratado com a mesma seriedade de uma reunião de trabalho, tem hipóteses reais de sobreviver à semana.
O que não fazer nesse tempo
Um erro comum é transformar o único tempo a dois numa reunião de gestão da casa: contas, horários dos filhos, tarefas pendentes. Essa conversa tem o seu lugar. Não deve ocupar o espaço reservado ao casal como marido e mulher, não como sócios de uma empresa familiar.
Outro erro é encher esse momento de telemóveis. Estar fisicamente junto mas mentalmente ausente é o mesmo que estar cada um numa sala separada. O objectivo desse tempo não é resolver questões. É lembrar-se de que ainda gostam de estar juntos, mesmo sem grandes eventos.
Se a vida atropelar o encontro marcado
Alguns casais marcam o encontro semanal e a vida atropela: o filho adoece, surge uma visita inesperada, o trabalho exige hora extra. A frustração é normal, mas não deve levar ao abandono da ideia. Se a terça-feira falhou, tente a quinta-feira.
O erro mais comum não é perder um encontro. É desistir depois da primeira falha, voltando ao pensamento de que não temos tempo. Se um dos dois não demonstra interesse, comece pequeno e sem pressão: convide para um café depois do jantar, sem rotular como encontro marcado. A resistência costuma desaparecer quando o convite é leve.
Como viver isto hoje
Oração
> Senhor, perdoa-nos por deixar o nosso casamento viver de sobras. Ajuda-nos a proteger o tempo que temos um para o outro. Ensina-nos a estar presentes, não apenas presentes fisicamente. Que voltemos a ser dois que caminham juntos, não dois que apenas coexistem. Amém.
O casal que tentou tudo num fim de semana livre não precisava de mais tempo livre. Precisava de uma decisão. Marque hoje o vosso encontro desta semana, antes que a agenda decida por si.
Outras mensagens relacionadas

O que você diz do seu cônjuge quando ele não está
Desabafar não é o mesmo que expor. Três perguntas antes de falar do seu casamento a alguém e uma frase para sair da conversa.

As expectativas que estão a ferir o seu casamento
Uma expectativa nunca dita funciona como armadilha silenciosa. Você sente-se traído, e o outro nem sabia da regra que devia cumprir.

Segundo casamento: não repetir a mesma história
Mudar de pessoa não cura o que ficou por curar dentro de si. O segundo casamento só é diferente quando o passado é enfrentado, não evitado.


