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Casamento

Casados e sozinhos: a falta de tempo a dois

13 de agosto de 20266 min de leitura
Casados e sozinhos: a falta de tempo a dois
Versículo Âncora — Eclesiastes 4:9-10

Melhores são dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se caírem, um levanta o outro; mas ai do que estiver só! quando cair, não haverá outro que o levante.

Referência marcada para validação pastoral adicional na Bíblia.

Vocês moram na mesma casa, dormem na mesma cama, mas há semanas que não têm uma conversa que não seja sobre horários, contas ou os filhos. De manhã é a correria para o trabalho, à tarde são os meninos, à noite é o cansaço, e ao fim de semana ainda há a igreja, a família alargada, as tarefas que ficaram por fazer. No meio de tudo isso, vocês os dois - o casal que um dia namorou com tempo de sobra - tornaram-se dois colegas de casa muito bem coordenados. É a falta de tempo no casamento a fazer o seu trabalho silencioso, dia após dia.

Ninguém decidiu, num dia certo, deixar de investir tempo no cônjuge. Foi acontecendo aos poucos, cada compromisso a parecer mais urgente do que o casamento, porque o casamento, ao contrário de um prazo de trabalho, não cobra imediatamente quando é negligenciado.

Imagine um casal que decidiu, cheio de boas intenções, "recuperar o tempo perdido" num fim de semana livre que finalmente apareceu. Cancelaram tudo, prepararam-se para o dia perfeito. Mas nesse dia, um deles estava exausto de uma semana difícil, o outro tinha três assuntos pendentes na cabeça, e o tempo que sobrou depois de tratar de recados, visitas e um problema doméstico foi passado em frente à televisão, cada um no seu telemóvel. Sentiram-se ainda mais frustrados do que se não tivessem tentado nada: tinham tempo livre e mesmo assim não se encontraram.

A conclusão a que muitos chegam depois de uma tentativa assim é errada: "não temos mesmo tempo, a vida não dá". Mas o que aquele fim de semana mostrou não foi falta de tempo. Foi que esperar por sobras - por um dia perfeito, sem mais nada para fazer - não é estratégia, é sorte, e a sorte não aparece com regularidade suficiente para sustentar um casamento.

O casamento não sobrevive de sobras

Há uma ideia comum, quase nunca dita em voz alta, de que o casal deve ficar com o que sobra depois de tudo o resto estar tratado: depois do trabalho, depois dos filhos dormirem, depois das obrigações da igreja, depois das visitas à família. O problema é que nunca sobra nada. Trabalho expande para preencher o tempo disponível, os filhos têm sempre mais uma necessidade, e as obrigações religiosas e sociais multiplicam-se com a mesma facilidade.

Eclesiastes 4:9-10 diz que é melhor serem dois do que um, porque se caírem, um levanta o outro. Essa promessa de apoio mútuo pressupõe proximidade - dois que caminham lado a lado, não dois que apenas partilham um endereço. Um casamento que vive de sobras vai, aos poucos, perdendo essa proximidade, mesmo que continue a funcionar bem como sociedade doméstica: contas pagas, filhos cuidados, casa organizada. Por fora, tudo certo. Por dentro, dois estranhos com o mesmo apelido.

O casal do fim de semana livre descobriu isto da pior forma: tempo, por si só, não resolve a distância. É preciso decisão, não coincidência. Se o casamento só recebe atenção quando calha sobrar tempo, vai continuar em último lugar, porque tudo o resto sabe reivindicar-se com urgência e o casamento, silenciosamente, aceita esperar.

Encontro semanal barato e possível

A alternativa a esperar por sobras é decidir, com antecedência, um espaço fixo - pequeno que seja - só para os dois. Não precisa de ser caro, nem grande, nem perfeito. Precisa de ser certo.

Pode ser meia hora depois de os filhos dormirem, duas vezes por semana, sem telemóvel, só para conversar sobre outra coisa que não seja logística doméstica. Pode ser um passeio a pé no bairro, uma vez por semana, enquanto o sol ainda vai alto. Pode ser preparar juntos o jantar de sexta-feira, com música, sem pressa. O que importa não é o orçamento nem o cenário - é que esteja marcado, protegido de interrupções, e que aconteça mesmo quando a semana esteve difícil.

A palavra-chave é "marcado". Um encontro que depende de "se der tempo" nunca acontece, porque sempre há algo mais urgente a competir. Um encontro marcado no calendário, tratado com a mesma seriedade de uma reunião de trabalho ou de um compromisso da igreja, tem hipótese real de sobreviver à semana.

O que não fazer nesse tempo

Um erro comum é transformar o único tempo a dois em mais uma reunião de gestão da casa: falar de contas, de horários dos filhos, de problemas domésticos por resolver. Esse tempo tem o seu lugar - mas não deve ser o mesmo tempo reservado para o casal se reencontrar como marido e mulher, e não apenas como sócios de uma empresa familiar.

Outro erro é encher esse tempo de telemóvel. Estar fisicamente junto sem estar realmente presente não é diferente de estar cada um numa sala separada. E um terceiro erro é ter expectativas grandes demais - achar que meia hora vai "resolver" todos os assuntos pendentes do casamento. O objectivo desse tempo não é resolver problemas, é lembrar aos dois que ainda gostam de estar juntos, mesmo sem nada de especial a acontecer.

Quando isto não parece resultar

Há casais que tentam marcar o encontro semanal e a vida continua a atropelar: o filho fica doente, chega uma visita inesperada, o trabalho exige uma hora extra. É frustrante, mas não é motivo para desistir da ideia. É motivo para a tornar mais flexível - se a terça-feira falhou, tenta-se a quinta. O erro mais comum aqui não é falhar um encontro, é desistir por completo depois da primeira falha, voltando ao "não temos mesmo tempo".

E se um dos dois não estiver interessado em marcar nada, achando isto desnecessário? Comece pequeno e sem exigir grandes declarações - convide para um café depois do jantar, sem chamar a isso "encontro marcado". Muitas vezes a resistência dissolve-se quando o convite é leve e sem pressão, e o hábito nasce da repetição, não da negociação inicial.

Como viver isto hoje

  • Escolha, ainda hoje, um dia e uma hora fixa desta semana só para os dois, e escreva no calendário como faria com qualquer outro compromisso importante.
  • Combine que, nesse tempo, telemóveis ficam de lado e assuntos de gestão da casa ficam para outro momento.
  • Se o encontro falhar por algum motivo fora do vosso controlo, marquem de imediato outro dia, em vez de deixar a semana passar sem nada.
  • Oração

    > Senhor, perdoa-nos por deixar o nosso casamento a viver de sobras. > Ajuda-nos a proteger o tempo que temos um para o outro. > Ensina-nos a estar presentes, não apenas presentes fisicamente. > Que voltemos a ser dois que caminham juntos, não dois que apenas coexistem. > Amém.

    O casal que tentou tudo num fim de semana livre e saiu frustrado não precisava de mais tempo livre - precisava de uma decisão. Quando decidiram, semana seguinte, marcar meia hora fixa às quartas-feiras, sem telemóvel e sem assuntos domésticos, descobriram que a falta de tempo no casamento não era um problema de agenda, era um problema de prioridade. Marque, ainda hoje, o seu encontro desta semana - antes que a agenda decida por si.

    Acha que esta palavra pode abençoar alguém hoje?

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