Chefiar com justiça: o que Paulo pede a quem manda
“Vós, senhores, fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos, sabendo que também tendes um Senhor nos céus.”
Você passou a ser responsável de turno, encarregado de obra ou chefe de secção. Há seis pessoas que agora esperam as suas ordens. Uma trabalha bem e é simpática consigo. Outra cumpre, mas tem mau feitio e responde torto. Na segunda-feira chega uma tarefa ingrata, daquelas que ninguém quer. A quem a entrega?
Ninguém vai fazer uma reunião para avaliar essa escolha. Mas a equipa vai reparar. E é em decisões pequenas como esta, repetidas semana após semana, que se decide se você é um chefe justo ou apenas um chefe.
O que Paulo pede a quem manda
Na carta aos Colossenses, depois de falar aos servos, Paulo dirige-se aos senhores: façam o que é justo e equitativo, sabendo que também vocês têm um Senhor nos céus (Colossenses 4:1). A frase não é teórica. A carta seguiu para Colossos acompanhada por Onésimo, um homem dessa cidade (Colossenses 4:9), e na pequena carta a Filemom Paulo pede que esse mesmo Onésimo seja recebido já não como servo, mas como irmão amado (Filemom 1:15-16).
Paulo não estava a escrever para gestores de empresa. Falava a pessoas com uma autoridade sobre outras muito maior do que a de qualquer chefe de hoje. E mesmo a essas não deu licença para fazerem o que quisessem. Pediu duas coisas. Justiça, que é dar a cada um o que lhe é devido. Equidade, que é usar a mesma medida para todos. E deu a razão: quem manda também presta contas.
Esse é o critério para tudo o que vem a seguir. Antes de decidir sobre alguém da sua equipa, pergunte: esta decisão passaria por justa diante do Senhor a quem eu presto contas?
A mesma medida para quem gosta e para quem não gosta
Na carta aos Efésios, Paulo lembra aos senhores que para com Deus não há acepção de pessoas (Efésios 6:9). A lei de Moisés já dizia o mesmo aos juízes: não favorecer o pobre nem honrar o poderoso (Levítico 19:15). Ou seja, a injustiça pode ir para os dois lados. O chefe que protege o funcionário simpático é injusto. O chefe que, para provar que não tem favoritos, é mais duro com o amigo também é.
Um teste simples: no fim de cada semana, olhe para o que foi distribuído e faça duas perguntas. Quem ficou com o trabalho ingrato? Quem ficou com o trabalho que dá visibilidade? Se a resposta for sempre o mesmo nome, há um problema, mesmo que nunca tenha sido essa a intenção.
O erro a evitar é confundir "não tenho favoritos" com "não tenho preferências". Toda a gente tem. A justiça não está em gostar de todos por igual. Está em não deixar que a preferência decida.
Corrigir sem ameaçar
No mesmo versículo de Efésios, Paulo pede aos senhores que deixem as ameaças. Para quem manda, a ameaça é a ferramenta mais fácil: "Se isto se repete, há quem queira o seu lugar." Resulta durante uns dias. Depois a equipa aprende a esconder os erros em vez de os resolver.
Corrigir com justiça tem três marcas. Faz-se em privado. Fala de um facto, não de um rótulo. E dá espaço à outra pessoa para explicar. Compare estas duas frases:
"Você é sempre desleixado."
"O relatório de ontem chegou duas horas depois do combinado. O que aconteceu?"
A primeira é um julgamento sobre a pessoa e não deixa saída. A segunda descreve o que se passou e abre a conversa. Pode haver uma razão que você não conhecia. Pode não haver, e então a conversa segue para o que vai mudar. Em qualquer dos casos, ninguém foi humilhado.
Cuidado também com o erro contrário. Há chefes que, por medo de parecerem duros, nunca corrigem ninguém. Isso não é bondade. É deixar que os colegas cumpridores carreguem o peso de quem não cumpre. E isso também é injusto.
Dar a tempo o que é devido
A lei de Moisés mandava pagar ao trabalhador pobre no próprio dia, antes do pôr do sol, porque a vida dele dependia disso (Deuteronómio 24:14-15). O princípio vai além do salário: o que é devido a quem está abaixo de si não deve ficar à espera da sua conveniência.
Isso inclui a resposta ao pedido de folga que prometeu dar até sexta. A avaliação que adia há meses. E, sobretudo, o mérito. Quando o seu superior elogia um trabalho feito por alguém da sua equipa, diga o nome dessa pessoa ali mesmo: "Quem resolveu isto foi o colega do armazém. O mérito é dele." Ficar calado e aceitar o elogio é uma forma discreta de ficar com o que não é seu.
Jesus resumiu a regra numa frase: faça aos outros o que quer que lhe façam a si (Mateus 7:12). Se alguma vez um chefe ficou com o crédito do seu trabalho, você sabe como isso pesa. A sua equipa sente o mesmo.
Como viver isto hoje
Oração
> Senhor, a autoridade que temos sobre outros vem de ti, e é a ti que prestamos contas. > Livra-nos de favorecer quem nos agrada e de pesar a mão sobre quem nos irrita. > Ensina-nos a corrigir sem humilhar e sem ameaçar. > Dá-nos coragem para dizer o nome de quem merece o mérito. Em nome de Jesus, amém.
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