O talento que você enterrou por medo
“E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu.”
Canta bem, mas só no chuveiro. Escreve, mas os textos ficam na gaveta. Tem jeito para ensinar, organizar ou consertar, mas nunca se oferece. Quando alguém lhe pergunta porquê, a resposta é sempre a mesma: há quem faça melhor.
Na parábola dos talentos, em Mateus 25, o servo que enterrou o dinheiro explica-se ao patrão com uma palavra: atemorizado. Não foi preguiça. Foi medo.
O medo disfarçado de modéstia
O medo raramente se apresenta como medo. Aparece como modéstia, como "não é para mim", como "há quem seja melhor". Por trás está muitas vezes o receio de ser avaliado e ficar aquém.
Quando o talento passa a medir o nosso valor como pessoa, cada crítica parece uma sentença. E a forma mais segura de nunca ser criticado é nunca mostrar nada. O talento fica protegido, mas também fica inútil.
Usar em pequeno já é usar
Muita gente acha que só vale a pena usar um dom em grande escala: o palco, o livro publicado, o negócio próprio. Enquanto o grande não chega, nada acontece.
Cantar num pequeno grupo da igreja, partilhar um texto com um amigo, explicar uma matéria a um colega com dificuldades: tudo isto tira o talento da terra. Na parábola, os servos que multiplicaram o dinheiro não começaram com mais. Começaram por pôr a trabalhar o que tinham.
O risco de guardar para depois
"Um dia, quando estiver mais preparado" é outra forma de enterrar. A preparação perfeita raramente chega sem um primeiro passo imperfeito. Um dom que se exercita, mesmo de forma tosca, cresce. Um dom guardado não fica à espera intacto. Enfraquece. E quem podia beneficiar dele continua sem o receber.
Quando a primeira tentativa corre mal
Talvez já tenha mostrado o que faz e recebido uma reacção fria. Isso dói. Mas uma experiência negativa não mede o valor do seu dom. Diz apenas que o caminho precisa de ajustes. Cada tentativa, mesmo criticada, dá-lhe informação para melhorar.
Como viver isto hoje
Oração
> Senhor, perdoa-nos pelo medo que enterrou os dons que nos deste. > Livra-nos da vergonha de sermos vistos a usar o que recebemos. > Dá-nos coragem para começar pequeno, sem esperar pelo palco perfeito. > Que o talento usado, mesmo imperfeito, Te dê glória.
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