Autossabotagem: quando se vê menor do que é
“e vimos ali os gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.”
Doze homens entraram em Canaã para observar a terra. Dez voltaram a dizer que havia gigantes e que, ao lado deles, pareciam gafanhotos. Dois, Josué e Calebe, viram os mesmos gigantes e disseram que era possível avançar.
A terra era a mesma. Os gigantes eram os mesmos. A diferença estava na medida que cada um usou para se ver a si próprio.
O relatório do medo
Os dez espias descreveram factos: cidades fortificadas, habitantes muito altos. O problema veio na conclusão. Passaram de "há gigantes" para "nós somos gafanhotos". Transformaram uma observação sobre o obstáculo numa sentença sobre si mesmos.
É assim que funciona a autossabotagem. O desafio existe, mas torna-se um espelho que devolve a imagem pequena que já trazíamos. Quando recebe um convite para liderar, ou uma oportunidade nova, e sente-se pequeno antes de fazer qualquer coisa, a dúvida não veio de fora.
Quando a auto-imagem decide antes de si
A autossabotagem costuma apresentar-se como realismo. Não diz "vou desistir". Diz "estou só a ser realista". E aparece precisamente quando surge uma oportunidade verdadeira.
A imagem que tem de si funciona como um filtro. Se foi formada por críticas, fracassos ou comparações, continua a julgar cada situação nova através dessas lentes. Por isso há pessoas competentes que hesitam perto da meta, arranjam desculpas ou abandonam projectos. Não lhes falta capacidade. Falta-lhes uma medida justa.
Medir-se pela promessa, não pelo medo
Josué e Calebe não negaram os gigantes. Mudaram a régua. Em vez de se compararem com o tamanho dos habitantes, olharam para o tamanho da promessa de Deus.
Troque a pergunta "sou capaz?" por outra mais honesta: que provas tenho da minha preparação? O que já fiz? O que aprendi? Não é arrogância. É justiça consigo mesmo: dar peso aos factos, e não só aos medos antigos.
Quando o velho reflexo volta
Mesmo depois de mudar a medida, o velho reflexo pode voltar, sobretudo sob pressão. Isso não é regressão. Hábitos antigos não desaparecem com uma só decisão. Se perceber que a sua imagem pequena vem de feridas concretas, como críticas repetidas na infância ou rejeições marcantes, procure apoio pastoral. Algumas feridas pedem mais do que uma mudança de perspectiva.
Como viver isto hoje
Oração
> Senhor, tantas vezes nos vemos como gafanhotos diante do que nos pedes. > Muda a medida com que nos olhamos. > Lembra-nos da Tua promessa quando o medo quiser decidir por nós. > Dá-nos a coragem de Josué e de Calebe.
Outras mensagens relacionadas

Chefiar com justiça: o que Paulo pede a quem manda
Quem manda também presta contas. A mesma medida para todos, uma frase para corrigir sem humilhar e o mérito que deve ter nome.

O talento que você enterrou por medo
O servo que enterrou o talento fê-lo por medo. Usar o dom em pequeno, já hoje, é a forma de o tirar da terra.

Toda a gente faz: o pequeno desvio que corrói tudo
Arredondar a seu favor, declarar uma hora a mais. Toda a gente faz, e é assim que o pequeno desvio se torna cultura.


